Um olhar sobre a maternidade

21 de junho de 2021
Me tornei mãe pela primeira vez aos 30 anos. Quando leio isso no papel, “mãe aos 30 anos” me soa tão maduro! Tardio até, para alguns. Mas a verdade é que apesar da idade, eu não me sentia assim. Me sentia jovem e imatura.

Meu filho nasceu com 37 semanas de gestação e com uma infecção no sangue. Isto fez com que ele não pudesse ir direto para o quarto comigo e tivesse que ficar internado por 13 dias para tomar medicação e ser acompanhado de perto. Depois da explosão inicial que me invadiu ao vê-lo pela primeira vez, o sentimento mais intenso que experimentei foi o da preocupação. Eu não conseguia parar de me preocupar com ele.

Ganhei alta depois de 2 dias, mas não pude levar meu bebê comigo para casa. Não há sensação mais dilacerante do que sair do hospital sem o seu bebê nos braços. Não há vazio maior do que o de um quarto todo preparado esperando por um bebê que não veio para casa. Hoje eu entendo que o meu problema era bem menor do que aparentava ser. Depois de 13 dias nosso bebê teve alta e se desenvolveu perfeitamente bem, sempre saudável e alegre. Mas nos dias em que ele esteve internado, a impressão que eu tinha era a de que eu poderia perdê-lo a qualquer momento.

É a lente de aumento que a chegada do primeiro filho nos traz. Tudo é mais intenso com o primeiro filho. Lembro de quantas vezes cheguei chorando em casa, após passar mais um dia no hospital, contando para o meu marido alguma coisa “revoltante” que tinha acontecido conosco no hospital. Hoje em dia eu lembro e sinto vergonha dos meus acessos de raiva e indignação. Tudo era maior, mais intenso, mais preocupante em se tratando do meu primeiro filho.

Lembro até mesmo de me assustar com o amor que eu sentia por ele e de pedir a Deus: “Senhor, me ajude a controlar esse amor! Não me deixe amar mais o meu filho do que o meu marido. Me ajude a ser equilibrada ao expressar esse amor.” E foi a partir daí que eu consegui dosar melhor os sentimentos e ao perceber o quão dedicado meu marido se tornou no seu papel de pai, senti como se o nascimento do nosso filho fosse uma “super cola” que serviu para nos unir ainda mais. Já não perdíamos mais tanto tempo e energia brigando por besteira. O nosso filho era mais importante. Nossa família era mais importante. Estávamos, os dois, unidos num mesmo propósito: cuidar do nosso bebê da melhor maneira possível. E cuidar do nosso relacionamento para que nada atrapalhasse o nosso vínculo.

Lembro com saudades desse tempo, dos nossos primeiros dias como pais. Eram muito cansativos, com certeza, mas cheios de amor e parceria entre nós.
Hoje, aos 38 anos, já passei por 4 gestações. A primeira foi o nosso filho Angelo (7 anos), a segunda eu tive um aborto no primeiro trimestre, com a terceira nasceu nossa filha Maria Antonia (2 anos) e estou grávida do nosso filho Lauro, que nascerá em setembro.

O que eu posso dizer às “tentantes” e às mães de primeira viagem é que não se preocupem tanto, ao ponto de se esquecerem de si mesmas. Não se preocupem tanto, ao ponto de ficarem paranoicas, exaustas, e com isso não aproveitar esse momento tão bonito e gostoso (e caótico também) que é a maternidade.
Leia bastante sim, se informe, mas também confie em você, na sua intuição, nas experiências de outras mulheres (até mesmo nas “antigas” como sua mãe e sua sogra). Ouça tudo e passe pelo seu filtro. Muitas coisas que nossas mães faziam nós não fazemos mais hoje em dia. Elas também podem ter dicas preciosas sobre a maternidade. E sua intuição também tem dicas preciosas. Saiba se ouvir.
Acredite que Deus sabia muito bem o que estava fazendo quando enviou esse bebê a você. O seu corpo e seus instintos estão perfeitamente preparados para isso. Relaxe um pouco sobre as regras que os “especialistas” inventaram. 

Leia tudo e aplique o que achar melhor à sua realidade. Eu aproveitei dicas preciosas sobre a rotina do sono, porém não me adaptei à rotina da amamentação, as regras de “tantos minutos em cada seio”, etc. Fiz da forma como foi possível. E todos ficaram bem. Mãe, pai e nossos bebês. Tenha fé, tenha calma. 
Todos aí ficarão bem também. Esse caos vai passar, e você sentirá saudade. Pode acreditar!

*Beatriz Borges é escritora cronista,  graduanda em Letras.Graduada em Missiologia. Tem uma coluna no site Gazeta da Educação, escreve para o blog Karissimas.
Esposa, gestante e mãe de duas crianças lindas. 
 
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