Minha Biografia

11 de maio de 2021
Elizete Maria dos Anjos*

Em 25 de junho de 1957 na nossa residência, em Araxá- MG, a minha mãe deu à luz pela terceira vez. A primeira filha chegou e recebeu o nome de Elizete Maria dos Anjos.
Com seis anos, assisti meu pai perder 80% de tudo que construiu; ele decidiu mudar para Uberlândia em busca de melhores condições de vida. Nessa época, tudo era muito difícil.
 Aos 08 anos iniciei o meu primeiro trabalho para ajudar minha família:  minha mãe produzia os pastéis e eu os vendia numa fábrica de ladrilhos e no Mercado Municipal de Uberlândia. Dos nove aos vinte anos exerci atividades de empregada doméstica, babá e cozinheira. Foi um tempo especial, porque adquiri habilidades com esses trabalhos, cursando o  ensino fundamental e segundo grau no período noturno.
Na época pleiteei uma vaga numa renomada loja na cidade de Uberlândia, fiz os testes, passei, porém não consegui o emprego por ser negra; na época havia muito racismo na cidade.
 Permaneci firme na trajetória de aprendizado, surgiu a possibilidade de entrar no ensino profissionalizante no SENAC, onde fiz o curso de datilografia, auxiliar de escritório e vendas. No final desse curso em 1978 disputei entre 18 candidatos 01 vaga de auxiliar de escritório na revenda da Volkswagen-Motomaq Ltda. 

Fui aprovada, substitui o meu trabalho de doméstica pelas atividades no  escritório de contabilidade. Trabalhei por 11 anos em diversas áreas dentro desse departamento e desenvolvi novas habilidades.
Em 1989 fui aprovada no vestibular para o curso de Letras na Universidade Federal de Uberlândia, e, já no primeiro período do curso pedi demissão na empresa e comecei a dar aulas na zona rural através de um projeto da UFU com a Ferub e Estado. Conclui o curso de Letras em 1991. Prestei dois concursos do município, conquistei as vagas e sai da contratação do Estado.
Em 2003 numa comunidade cristã, conheci um grupo de pessoas que trabalhavam com Missões transculturais. Participei de vários seminários, ouvi muito sobre o continente africano, apaixonei por esse povo. Recebemos nessa comunidade alguns pastores de Uganda, da capital Kampala. Eles nos convidaram para conhecer o trabalho que desenvolviam nessa Nação.

No final de 2004 fui para a Inglaterra para aprender a língua; lá encontrei parceiros que oportunizaram a entrada na cidade de entre18 pessoas 01 vaga de auxiliar de escritório na revenda da Volkswagen: Motomaq Ltda. Fui aprovada e substitui o meu trabalho de doméstica pelas atividades no   escritório de contabilidade. Trabalhei por 11 anos em diversas áreas dentro desse departamento e desenvolvi novas habilidades nesse setor.
Em 1989 prestei vestibular para o curso de Letras na Universidade Federal de Uberlândia, fui aprovada e no primeiro período do curso pedi demissão na empresa e comecei a dar aula na zona rural através de um projeto da UFU com a Ferub e Estado. Conclui o curso de Letras em 1991. Prestei dois concursos do município, conquistei as vagas e sai da contratação do Estado. 

Em abril de 2007, venceu a minha licencia prêmio, e retornei ao Brasil e ao trabalho de sala de aula.  Passados alguns meses recebi o convite para trabalhar com a equipe da Educação especial com a Itinerância na zona rural. Amei esse trabalho, porque tive resultados diários com as crianças, utilizando a técnica de novos olhares e ressignificação de práticas pedagógicas. Contribuí no desenvolvimento de várias crianças com deficiência. Foi um trabalho que marcou a minha vida profissional.
 
Atuando no Atendimento Educacional Especializado- AEE, nasceu o desejo de levar esse ensino para o continente africano. Me voluntariei na OSC Missão África, a qual atua em Moçambique, onde, num universo de 14 milhões de crianças nessa nação, 10 milhões, experimentam alguma forma de pobreza e 105 delas de zero a 12 anos são órfãs repercutindo no fato que 211,639 são chefiadas por crianças.

A Missão África iniciou esse trabalho em 2011 em Uberlândia. É composta por um grupo parceria com instituições moçambicanas e vem servindo continuamente as comunidades miseráveis no continente africano com alcance social integrado levando o atendimento médico, odontológico, educação, alimentação, e dentre outras necessidades.
(Revista Missão África 2021) “Metade da população de 0-17anos vive numa família cujo consumo está abaixo do limiar da pobreza nacional e 40% das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica e 16% têm baixo peso. Três quartos das crianças não têm acesso ao saneamento e eletricidade e quatro em cada dez não tem fontes de água potável acessíveis. Cerca de 16% das crianças dividem o mesmo quarto com quatro ou mais pessoas e mais da metade, vivem numa casa com o chão e o telhado feito com base em materiais naturais rudimentares.”

Em 2014, fiz a minha primeira viagem com o grupo, fomos para a cidade de Dondo. Visitamos alguns lugarejos vizinhos e tive a oportunidade de ver crianças com deficiência em casa, sem nenhuma assistência de educação, pois infelizmente não havia nenhum trabalho da Educação Infantil e Educação Inclusiva disponíveis na cidade. Comecei a imaginar possibilidades de um dia podermos realizar esse trabalho com as crianças moçambicanas.
Sonhamos; e os sonhos se tornaram realidades a partir do momento que movimentamos para essa possível construção. Formamos uma equipe de profissionais da educação no Brasil, começamos um trabalho com parcerias em Dondo.  A Missão África construiu salas de aula em locais diferentes de acordo com as demandas e atendemos crianças de 04 a 05 anos em Mútua, na Zona C, Comunidade Vinde e dentre outros parceiros locais.

Em 2019, a cidade de Dondo sofreu o acidente natural causado pelo ciclone que destruiu, várias áreas no Distrito, inclusive as escolas. Houve a reconstrução. Nesse mesmo ano a Missão África passou a ser responsável apenas da Zona C, hoje chamada de Zona E. Em 2020, a Missão África iniciou a construção da escola própria, denominada Centro Educacional Missão África Eva e Lilito. Desenvolveremos as atividades de educação infantil e implantaremos    a educação inclusiva, isto é o Atendimento Educacional Especializado- AEE. A inauguração será nesse mês de maio de 2021.
Estou na coordenação da área pedagógica juntamente com a nossa equipe de profissionais voluntários do Brasil, com intuito de crescer e contribuir com as crianças e profissionais registrados pelo CEMA- Centro Educacional Missão África. Desde o início da Pandemia do COVID 19, as crianças estão aguardando em casa, porém todas estão sendo assistidas pela Missão África.  Os professores, nesse período estão participando de 15 em 15 dias da formação online dirigida pela equipe brasileira da educação. Estamos juntos em unidade nesse trabalho, porque cremos que a educação pode transformar a vida dessas crianças, as quais poderão futuramente se tornarem líderes diferenciados na nação moçambicana.

                                                        
 *A autora possui  Licenciatura Plena em Português e Inglês, Pós-graduação em Didática Aplicada, Pós-graduação em Educação Inclusiva. Elizete é Master Coaching, Palestrante, Gestora de Análise de Perfil Comportamental

 
Veja mais artigos sobre Veja mais
Copyright ©2021 - Revista Infâncias
Design by: