Os contributos da fisioterapia para o desenvolvimento da criança com paralisia cerebral

24 de abril de 2021
Autor(a): Renata Pereira da Silva

 
A paralisia cerebral (PC) é descrita como um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento, movimento e postura, atribuído a um distúrbio não progressivo que ocorre especificamente durante o desenvolvimento do cérebro no período fetal ou na infância, podendo contribuir para limitações no perfil de funcionalidade da pessoa. Caracteriza-se por anóxia, condição descrita pela falta de oxigênio no cérebro, o que pode levar à morte de neurônios (células responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos) e resultar em danos cerebrais irreversíveis, quanto mais tempo o cérebro fica sem receber oxigênio, mais graves são as consequências.

Existe também a anóxia neonatal, que apresenta as mesmas características, porém o que muda é que este é relacionado ao recém-nascido e o oxigênio é importante para a atividade metabólica do bebê, é na presença do oxigênio que as células conseguem retirar a energia química dos alimentos para a manutenção da vida. Alguns minutos sem o oxigênio as atividades celulares cessam e inicia-se o processo de morte celular. Quando isto acontece, os órgãos que mais sofrem são justamente os que possuem maior atividade metabólica, como o cérebro, coração e os rins.

As causas da PC podem ser de origem genética e/ou hereditária, por pré-eclâmpsia, hemorragias com ameaça de abortamento, má posição do cordão umbilical, distúrbios metabólicos (diabetes e desnutrição), rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus, HIV, intoxicações por drogas, malformação congênita, radiações nucleares e ao raios-X.
O diagnóstico é definido por exames clínicos, caracterizadas por alterações do movimento e postura. A investigação precoce e a intervenção podem beneficiar a plasticidade cerebral nos primeiros meses de vida da criança, muitas vezes o diagnóstico é consolidado por volta dos 2 anos de idade, principalmente em casos de gravidade leve, devido ao aparecimento de distonias (contrações musculares involuntárias), ou seja, sinais neurológicos que aparecem, mas não se mantêm.

Os déficits encontrados na PC estão frequentemente associados a alterações sensoriais, cognitivas e musculoesqueléticas e resultam em espasticidade (aumento involuntário da contração muscular), distonia e comportamento hipotônico. Nas formas mais leves da PC, apresentam distúrbios sensoriais, problemas no campo visual, epilepsia focal e contratura leves em um braço e perna de um lado do corpo, o que interfere no movimento e na habilidade motora fina. Na outra extremidade do espectro, pode manifestar envolvimento dos quatro membros, com quadro misto de espasticidade e discinesia (espasmos musculares).
Um tratamento com ênfase na prática de atividades funcionais prioriza o aprendizado de habilidades motoras que sejam significantes no ambiente da criança e o tipo de profissional que poderá contribuir nessas competências é o fisioterapeuta, ele irá realçar as habilidades no contexto da vida diária, relacionando limitação motora com atividade funcional.

No contexto de crianças com PC o fisioterapeuta terá como objetivo minimizar as consequências e promover a máxima função possível, utilizar de técnicas para diminuir a hipertonia muscular, reduzir os problemas secundários, como encurtamentos e contraturas, aumentar a amplitude de movimento, maximizar o controle motor, força muscular e a coordenação motora. Demonstrando que a reabilitação em crianças com PC é muito abrangente. Uma boa proposta de conduta possibilita correções ou reduções das dificuldades funcionais que decorrem do comprometimento motor.

O fisioterapeuta assim como a equipe multidisciplinar, tem grande importância no tratamento de pacientes com PC, pois através de atividades aplicadas e ensinadas aos cuidadores e pais, melhora-se o desempenho nas habilidades funcionais, promovendo maior independência dessas crianças.
  
* O artigo completo está disposto na Revista Infâncias. 

** Sobre a autora:
Renata Pereira da Silva.
Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente (UFPE). Fisioterapeuta (UEPB).
CREFITO 236478 -F
Email: renaataafisioterapia@gmail.com Instagram: @neurofisio.ematividade Recife-Pernambuco


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Criança brincando no balanço adaptado. 
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