O bebê chegou: informação, preparação, amor.

06 de maio de 2021
A gravidez, o parto e o pós-parto são momentos muito delicados na vida dos membros de uma família. Trata-se de etapas em que os componentes da estrutura familiar, especialmente a mãe, estão profundamente fragilizados em função das mudanças físicas, emocionais, psicológicas e da rotina familiar. 


A privação de sono também cobra um alto preço no que tange à disposição do pai da família. Essa combinação explosiva já colocou fim a inúmeras famílias, sejam elas recém-constituídas ou já contando com vários anos de união. 

Em minha prática clínica, já presenciei muitos jovens casais se separando durante o primeiro ano de vida do bebê. Pelo que observo, na maioria das vezes quem mais sofre é a mulher. A fim de enfrentar essa fase tormentosa, acredito que um tripé precisa estar firmemente estabelecido no solo familiar. Esse tripé é constituído pelos seguintes elementos: informação, preparação e amor. 

Os membros da família devem se informar sobre o que os espera. Há livros especializados acerca das várias mudanças que acompanham a gravidez, o parto e o pós-parto. Também é essencial buscar essas informações em uma consulta pediátrica pré-natal. 

Nessa consulta, que deve ser realizada a partir da 32ª semana de gestação, o pediatra transmitirá dicas práticas sobre o que vai acontecer durante o parto, como cuidar do bebê, como iniciar a amamentação do melhor modo possível, o que fazer em caso de emergência e até mesmo como lidar com as alterações psicológicas que envolvem o momento. 


De posse dessas informações, os membros da família devem se preparar. O primeiro ato de preparação é a realização de um pré-natal adequado, a fim de assegurar o desenvolvimento ideal da criança ainda no ventre. 

O pediatra deve ser escolhido antes do parto, a fim de que o cuidado com o recém-nascido seja realizado com segurança desde o princípio. Sem dúvidas, os pais vão adquirir o necessário para compor o enxoval. 

Mas o principal é a preparação psicológica para as mudanças drásticas na família. E é nesse ponto que entra o amor. 


A harmonia entre o casal é essencial para que um incentive, acalente e dê segurança ao outro, e ambos ao bebê, nos momentos difíceis da primeira infância, que não são poucos. Um lar harmonioso é requisito indispensável para a criação de cidadãos psicologicamente equilibrados. 

As crianças desses lares cultivarão os mesmos equilíbrio e harmonia em suas relações pessoais, formando um círculo virtuoso que atuará em prol do progresso de toda a humanidade. 


Se na sua família não há essa cumplicidade, essa compreensão, esse amor, por favor não tenha filhos, pelo menos não ainda. 

Não tenha filhos se for para submetê-los a um relacionamento abusivo. Nem se você não tem quinze minutos por dia para brincar. Se você não abre mão da maratona daquela série nova quando a criança precisa da sua atenção, não tenha filhos. 

Se você precisa contratar babás para ficar com as crianças de domingo a domingo, não tenha filhos. Criar um ser humano é a tarefa de maior responsabilidade que você pode assumir na vida. 


Se a família a assumir em unidade, de corpo e alma, ciente da sua importância, preparada e munida de informação, descobrirá que essa é também a tarefa mais recompensadora que pode existir.


*Doutora Paula Cardoso é Médica Pediatra. 
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