Comunicação entre pais e filhos.

19 de abril de 2022
                                                                                                                                                      Comunicação entre pais e filhos.

Para uma comunicação ser bem sucedida, há que se considerar como a mensagem parte do emissor para o receptor, pois nem sempre a mensagem intencionada equivale à mensagem recebida, pois nesse ínterim, há a subjetividade da interpretação que envolve ambas as partes. Se o processo de comunicação já se mostra tão complexo, imagine quando essa comunicação se dá entre culturas diferentes, pessoas de idiomas diversos e, especialmente, entre pessoas em fases de vida diferentes, com é o caso de pais adultos e filhos na fase da infância e adolescência.
Costuma-se dizer que os adolescentes falam um “dialeto próprio”, numa linguagem repleta de gírias e expressões próprias dessas conversas juvenis. E para complicar mais um pouco, nesta fase de transição entre a infância e a vida adulta, não apenas o vocabulário sofre alterações, como sua visão de mundo e forma de se perceber nele. Instala-se então essa dificuldade de comunicação entre pais/responsáveis e filhos, dadas as diferenças linguísticas e subjetivas, pois os pais, constituindo-se uma geração mais experiente, também se apegam às suas convicções e em nome da “experiência” de vida, se intitulam os “donos da razão”, título este também apossado pelo grupo juvenil.

Os pais se sentem confusos, pois têm a impressão que lidar e conversar com seus filhos na infância parecia algo mais simples, mesmo não sendo um processo fácil. As crianças têm em seus pais ou responsáveis (quando há vínculo de afeto entre eles) a imagem de um(a) quase-herói (heroína), que está ali para protegê-los e servir de modelo quando crescerem. Ao passo que na adolescência, essa idealização vai dando lugar a uma visão mais realista de seus responsáveis, com a percepção de seus defeitos e fragilidades, o que pode gerar uma aproximação benéfica entre pais e filhos ou ir na direção oposta, trazendo rebeldia e franca oposição aos valores ensinados por seus genitores até então.

Neste instante, constatamos o famoso “conflito de gerações”. Como sair então desse impasse quanto a melhor forma de se comunicar com os filhos adolescentes? Em primeiro plano está a flexibilidade, que é a capacidade de se reconhecer aberto ao novo e admitir que suas crenças não são as únicas corretas quando comparadas às de outrem, seja de que idade forem. Quando os responsáveis criticam a maneira do jovem se comunicar pela simples oposição à sua singularidade e adotam atitudes de menosprezo ao conteúdo de suas ideias, tudo que fazem é aumentar ainda mais o distanciamento entre eles. Como é possível ouvir sem estar disposto realmente a escutar o outro, de um modo respeitoso e sem pré-julgamentos? Isso vale para qualquer tipo de relação de afeto e não seria diferente entre pais e filhos.

Como o pai ou a mãe podem ser próximos de seu filho, se o acham imaturo, insensato e incapaz de gerir seus pensamentos, sentimentos e atitudes? Por mais que isso muitas vezes ocorra por meio dos comportamentos extremados e até desorganizados do(a) adolescente, é justamente por intermédio de uma postura acolhedora da família que os jovens podem sentir a liberdade de darem vazão aos seus dilemas pessoais e se conhecerem melhor. O que pode ser menos pior do que a dúvida de não saber o que se passa na mente de um(a) filho(a)? Muitas vezes, o filho aparentemente cordato, apenas dissimula e omite seus verdadeiros pensamentos e emoções, para não ser julgado ou oprimido, o que oferece mais riscos do que garantias aos pais, pois a falta de confiança gera incertezas e preocupações, que prejudicam o bom relacionamento intrafamiliar. Portanto, minimizar a importância das manifestações dos (as) adolescentes apenas os afastará do caminho do diálogo e da boa comunicação com os pais, que implica em saber ouvir antes de apenas falar e direcionar. Na infância, tal direcionamento se faz mais incisivo, dada a imaturidade dos pequenos e natural insegurança do porvir. Na adolescência, o direcionamento se faz em forma de uma orientação presente, mas não dominante, capaz de se desprender de sentimentos de posse e de autoritarismo, e dos pais demonstrarem aos filhos que o cuidado, a proteção e o amor caminham de mãos dadas com o respeito à sua individualidade.

Clarissa O. M. Acerbi Psicóloga CRP 04/12896
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