Rousseau: Uma breve análise sobre o conceito Emiliano e as inquietações atuais.

03 de maio de 2021
O desejo em discorrer sobre Rousseau busca identificar e depreender como os adultos veem as crianças, principalmente na primeira infância. E do ponto de vista educacional, como os pensamentos dele e também sua obra “Emílio ou Da Educação” influenciaram filósofos, teóricos, educadores, pensadores do passado. E como nos dias atuais continuam influenciando.
A época de Rousseau é fundamentalmente racionalista e ele consegue romper esta hegemonia da razão enfatizando um aspecto muito esquecido na tradição filosófica e pedagógica, que é a sensibilidade do homem. (CERIZARA,1990, p.30)
 
Verifica-se no processo histórico a existência de haver um divisor de águas, um antes e um depois. 
Antes: a criança não existia, era vista como um adulto em miniatura; depois: por meio do olhar sensível e dos questionamentos de Rousseau, algo inovador para o seu tempo, a criança passou a ser vista e tratada em sua essência, na sua liberdade e felicidade em ser criança.
Então, nasce assim, a infância. Dando a Rousseau, a consideração de ser o pai da educação, pois para ele deve se enfatizar a boa educação desde o nascimento, pois a criança nasce pura, sendo corrompida pela sociedade.
Portanto, a verdadeira infância, inicia assim: conhecendo-se as crianças, observando suas características individuais, compreendendo suas diferenças naturais e biológicas, sociais e políticas, possibilitando assim, uma boa educação para a formação plena do homem quanto indivíduo inserido na sociedade.
O discurso de Rousseau em Emílio quer como crítica à sociedade da época quer como oposição à educação de seu tempo, constitui uma apologia da educação enquanto meio para ajudar o homem a viver em sociedade, conciliando o homem natural e o homem social. (CERIZARA, 1990, p. 19).
 
Portanto, como isso acontece na sociedade contemporânea, à criança há realmente valorização dela como tal e, então, tornando-a protagonista da educação infantil? Em tempos de isolamento social, o retorno da educação dos filhos aos pais, isto é satisfatório, ou se tornou um fardo pesado no contexto familiar? Qual seria a visão dos intelectuais na atualidade? O que há de comum entre tempos tão diferentes?
O que leva à reflexão epistemológica, científica e social sobre o desenvolvimento pleno de uma educação que tenha um olhar sensível e ao mesmo tempo construtivo para a criança como um todo. 
Um indivíduo sendo cuidado e educado para ser livre, é capaz de pensar, falar, agir, e intervir no meio ao qual está inserido, mesmo em tempos de crise, de incertezas e de medo.
Há de se analisar as experiências boas ou ruins daqueles que almejaram por meio de atitudes, operarem mudanças ou modificações; inquirir para então, buscar encontrar respostas eficazes para as demandas atuais da educação. 
Descobrir através da história da educação e seus intelectuais, a importância do desenvolvimento da criança desde o princípio de sua vida como ser humano social, biológico, político em meio à sociedade.
Valorizar a necessidade primordial da criança em ser ela mesma, brincando, jogando, descobrindo, aprendendo, tudo isso com liberdade, e segundo Rousseau sem excessos.
O que se deve buscar: o conceito de infância; a importância de se olhar, ver e ouvir a criança; como desenvolver uma educação adequada para a criança; o respeito ao tempo de infância de cada criança; a importância da educação infantil na formação do indivíduo em sua vida em sociedade; a importância dos intelectuais que contribuíram para uma educação eficaz, e como esta pode influenciar e modificar o indivíduo na sociedade a qual ele está inserido. 
REFERÊNCIAS:
CERIZARA, Ana Beatriz. Rousseau: a educação na infância. Vl. 17. Editora Scipione.1990. 174 pgs.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio; ou Da Educação. Jean Jacques Rousseau: tradução de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 3ª ed . 1995. 592p.


*A autora é graduada em Pedagogia pela Pontifícia Católica de Uberlândia- Minas Gerais. 
 
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